E lá vou eu nessa estrada desafiando o coração cantando em prosa ou canção feito uma ave cantadeira Cantar, cantar, cantar viver, viver, viver criar penas de pássaro no ar voar, voar, voar sofrer, sofrer, sofrer amar, amar, amar você E lá vou eu nessa agonia levando a dor em minhas mãos fugindo igual a um bicho errante amargura coração Cantar, cantar, cantar sofrer, sofrer, sofrer voar, voar, sobreviver.
(Sivuca & Paulinho Tapajós) Era uma vez um tempo de pardais, de verde nos quintais Faz muito tempo atrás, quando ainda havia fadas No bonde havia um anjo pra guiar, outro pra dar lugar Pra quem chegar sentar, de duvidar, de admirar.
Havia frutos num pomar qualquer, de se tirar do pé No tempo em que os casais, podiam mais se namorar Nos lampiões de gás, sem os ladrões atrás Tempo em que o medo se chamou jamais.
Veio um marquês de uma terra já perdida E era uma vez se fez dono da vida Mandou buscar cem dúzias de avenidas Pra expulsar de vez as margaridas Por não ter filhos, talvez por nem gostar Ou talvez por mania de mandar.
Só sei que enquanto houver os corações Nem mesmo mil ladrões podem roubar canções E deixa estar que há de voltar O tempo dos pardais, do verde nos quintais Tempo em que o medo se chamou jamais.
Tell me why Why can't we live together Everybody wants to live together Why can't we be together No more war Just a little peace No more war all we want Is some peace in this world Everybody wants to live together Why can't we be together No matter what color You are still my brother I said no matter what color You are still my brother Everybody wants to live together Why can't we be together Everybody wants to live Everybodys got to be together Gotta live together Together!
(Caetano Veloso e Gilberto Gil) Eu quis cantar Minha canção iluminada de sol Soltei os panos sobre os mastros no ar Soltei os tigres e os leões nos quintais Mas as pessoas na sala de jantar São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer De puro aço luminoso um punhal Para matar o meu amor e matei Às cinco horas na avenida central Mas as pessoas na sala de jantar São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar Folhas de sonho no jardim do solar As folhas sabem procurar pelo sol E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas na sala de jantar Essas pessoas na sala de jantar São as pessoas da sala de jantar Mas as pessoas na sala de jantar São ocupadas em nascer e morrer
(Milton Nascimento - Ruy Guerra) Tenho nos olhos quimeras Com brilho de trinta velas Do sexo pulam sementes Explodindo locomotivas Tenho os intestinos roucos Num rosário de lombrigas Os meus músculos são poucos Pra essa rede de intrigas Meus gritos afro-latinos Implodem, rasgam, esganam E nos meus dedos dormidos A lua das unhas ganem E daí? Meu sangue de mangue sujo Sobe a custo, a contragosto E tudo aquilo que fujo Tirou prêmio, aval e posto Entre hinos e chicanas Entre dentes, entre dedos No meio destas bananas Os meus ódios e os meus medos E daí? Iguarias na baixela Vinhos finos nesse odre E nessa dor que me pela Só meu ódio não é podre Tenho séculos de espera Nas contas da minha costela Tenho nos olhos quimeras Com brilho de trinta velas E daí?
(Cazuza e Gilberto Gil) São 7 horas da manhã Vejo Cristo da janela O sol já apagou sua luz E o povo lá embaixo espera Nas filas dos pontos de ônibus Procurando aonde ir São todos seus cicerones Correm pra não desistir Dos seus salários de fome É a esperança que eles têm Neste filme como extras Todos querem se dar bem
Num trem pras estrelas Depois dos navios negreiros Outras correntezas
Estranho o teu Cristo, Rio Que olha tão longe, além Com os braços sempre abertos Mas sem proteger ninguém Eu vou forrar as paredes Do meu quarto de miséria Com manchetes de jornal Pra ver que não é nada sério Eu vou dar o meu desprezo Pra você que me ensinou Que a tristeza é uma maneira Da gente se salvar depois
Num trem pras estrelas Depois dos navios negreiros Outras correntezas
Agenor de Miranda Araújo Neto * - 04/04/1958 + - 07/07/1990