quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Relicário - Cássia Eller & Nando Reis

Queremos Saber - Cássia Eller

(Gilberto Gil)

Queremos saber,
O que vão fazer
Com as novas invenções
Queremos notícia mais séria
Sobre a descoberta da antimatéria
e suas implicações
Na emancipação do homem
Das grandes populações
Homens pobres das cidades
Das estepes dos sertões
Queremos saber,
Quando vamos ter
Raio laser mais barato
Queremos, de fato, um relato
Retrato mais sério do mistério da luz
Luz do disco voador
Pra iluminação do homem
Tão carente, sofredor
Tão perdido na distância
Da morada do senhor
Queremos saber,
Queremos viver
Confiantes no futuro
Por isso se faz necessário prever
Qual o itinerário da ilusão
A ilusão do poder
Pois se foi permitido ao homem
Tantas coisas conhecer
É melhor que todos saibam
O que pode acontecer
Queremos saber, queremos saber
Queremos saber, todos queremos saber

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Máquina do Tempo - Flávio Venturini


Finjo não saber que o tempo passa logo
Finjo pra tentar conter a minha dor
Finjo não notar, mas toda noite choro
Choro de saudade do que já se foi
Ah que bom seria se o tempo voltasse
Pra fazer tudo de novo, meu amor!
É como se a vida nunca acabasse
Reviver os passos seja como for
Lembrar do que foi bom
Mas também quero tropeçar nas mesmas pedras do caminho
Refazer a mesma rota que meu coração traçou
Deixa eu voltar, quero voltar,
Entrar na máquina do tempo é só ilusão, eu sei
Quero voltar,
Quero viver o mesmo sonho e de novo encontrar você

domingo, 4 de outubro de 2009

Cantora Mercedes Sosa morre, aos 74 anos, em Buenos Aires

Morreu neste domingo, aos 74 anos, a cantora argentina Mercedes Sosa. Ela estava internada desde o dia 18 de setembro no Sanatorio de la Trinidad, em Palermo, Buenos Aires, e seu estado de saúde se agravou na última semana, devido a problemas renais que afetaram o sistema cardiorrespiratório e órgãos vitais. A cantora estava em coma e respirava com a ajuda de aparelhos. O corpo será velado a partir do meio-dia deste domingo na sede do Congresso Nacional argentino, em Buenos Aires.

Tucumán, 9 - julho - 1935
Buenos Aires, 4 - outubro -2009

Mercedes Sosa - Volver A Los 17
Violeta Parra

Volver a los diecisiete
Después de vivir un siglo
Es como descifrar signos
Sin ser sabio competente
Volver a ser de repente
Tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo
Como un niño frente a Dios
Eso es lo que siento yo
En este instante fecundo
Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra
Ai, sí, sí, sí
Mi passo retrocedido
Cuando el de ustedes avanza
El arco de las alianzas
Ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido
Se ha paseado por mis venas
Y hastas la dura cadena
Con que nos ata el destino
Es como un diamante fino
Que alumbra mi alma serena
Se va enredando, enredando...
Lo que puede el sentimiento
No lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder
Ni él más ancho pensamiénto
Todo lo cambia el momento
Cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente
De rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia
Nos vuelve tan inocentes
Se va enredando, enredando...
El amor es por divino
De pureza original
Hasta el feroz animal
Susurra su dulce trino
Detiene los peregrinos
Libera los prisioneros
El amor con sus esmeros
Al viejo lo vuelve niño
Y al malo solo el cariño
Lo vuelve puro y sincero
Se va enredando, enredando...
De par en par la ventana
Se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto
Como una tibia mañana
Y al son de su bella Diana
Hizo brotar el jazmin
Volando cual serafin
Al cielo me puso aretes
Y mis años en diecisiete
Los convirtó el querubin
Se va enredando, enredando...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Beatriz - Milton Nascimento


Para Ana Cecília
Olha,
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura o rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha,
Será que é de louça,
Será que é de éter
Será que é loucura,
Será que é cenário a casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu,
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão,
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha,
Será que é uma estrela,
Será que é mentira
Será que é comédia,
Será que é divina a vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Outubro - Milton Nascimento


Tanta gente no meu rumo
Mas eu sempre vou só
Nessa terra desse jeito
Já não sei viver
Deixo tudo deixo nada
Só do tempo eu não posso me livrar
E ele corre para ter meu dia de morrer
Mas se eu tiro do lamento um novo canto
Outra vida vai nascer
Vou achar um novo amor
Vou morrer só quando for
E jogar no meu braço no mundo
Fazer meu outubro de homem
Matar com amor essa dor
Vou
Fazer desse chão minha vida
Meu peito é que era deserto
O mundo já era assim
Tanta gente no meu rumo
Já não sei viver só
Foi um dia e é sem jeito
Que eu vou contar
Certa moça me falando alegria
De repente ressurgiu
Minha história está contada
Vou me despedir